Saturday, April 30, 2011

nothing new surrounding? [the words space redone]

nada de novo sob o sol
o que existe é o mesmo ovo de sempre
chocando o mesmo novo
Itamar Assumpção, Prezadíssimos ouvintes 



as coisas todas circunscritas, e imensitude-palavra, um zás de agir que sentindo, e tudo ou nada-muito, ou tendo-vendo enredos, ali desembaraçando, e indo dar além de um sem, ora encobrindo as coisas, mas com querência-sonho de ir imaginando enlaces, e ir-se pouco a pouco num desenho torto, que cabendo chão, pois de um tão sofrer imenso, ainda que em tempo, ou algo falta-eixo, o tique o taque assim, então coelhos sendo, e saindo acaso mesmo, de um todo dentro-atroz, alcançando a rua-asfalto, lançando-se eles todos a um destino mácula...


... e de um silêncio-imagem, em sentido-mão pequena daquela hora afoita, que aberta em náusea é como, o outro que titila imenso, agora em passo afoito, segue andando nadas em muito cabisbaixo, às vezes ao relento, ladeira acima e para, mas não se cansa e morde, aparecendo o dia, que anoiteceu visões, tantas se não ora, de um paraíso morto, e de uma miragem vã, mas tique-tum querendo quando o coelho aflora...
a vida inteira em fábula, e ali a hora-olhos, que correm ou estagnados, mas que palavra-imagem...
reinventar o espaço só se dizendo outros... e que este, reinaugurado depois de algum silêncio, mesmo que tenha bastantes mais contornos de um distorcido-insano... pois que palavras ainda titilam... e também coelhos... e ainda o ímpeto de expelindo a dor, de desdizendo algum-muito resíduo... e então, se sim mais certeiro que não-quase, a ideia de remodelar foi sendo combinada com aquilo mesmo muito da gente de afastar um quê ocioso pois que avesso da mutabilidade... de qualquer coisa, ou de muitas outras titilando dentro...
e é mesmo aqui como parece, podendo ser ou tanto muito se refazendo, num entrelugar que ocupado quase sempre silenciando um algo, que também talvez aos berros em desespero-sonoridade, acolá misturada em papéis e tela, café, caneta desbotada já de imensamente gasta, rabiscos, entranhada nisso, noutro daquilo que livros minha vida sempre, atabalhoada, cambaleante, intransigente, gauche, que então miragem de labirinto este, como eu sempre, desde sabe-se lá ninguém quando, que a reinvenção fajuta, por certo mesmo até assim, mas digo também que valendo o quanto custa e pesa, a ideia, enfim, de remodelar as coisas, pôr em ordem a casa, tudo isso vem combinado com imagem esta: os livros, a mesa, a tela, bloquinhos ou folhas esparsas, desordeiramente espalhadas ou guardadas pra dia desses...
a vida que eu queria como se borgeando mesmo a miragem: saltitante entremeada biblioteca... uma espécie de paraíso ela – a biblioteca...
esperar é verbo estranho, que pouco me apeteceu em bocados... mas eis que entrem cá, meus queridos... esperando, então, é isso que eu desde já: que o espaço, refeito em imagens e com certa nova organização dos escritos, seja... hum... o quê? mesmo? sabendo-se lá pouco ou bastante, nada disso ou tudo que... continuemos... esperam-me os coelhos, náuseas e também flores, muito pouco quase sempre, mas desejosos daquilo de ocasião pra ir vomitando eles, às vezes tanto, batendo forte, pra um de elefante-rua, fora... os meus tais ficcionismos...      

Thursday, April 14, 2011

il y a toujours quelque chose d’absent et d’étranger qui je dois dire [ce sont les lapins qui je vomis]


Dédié à Corinne Fleurier [le café et du pain au-déla du café et du pain (tic tac) parce que elle-même, touchée et délicate, au-déla des mots quotidiennes et vagues]

Toute société, pour se maintenir et vivre, a besoin absolument de respecter quelqu'un (Fiodor Dostoïevski, Journal d'un Écrivain) 

Si j’eusse vu la couleur des yeux de ceux qui sont petits, qu’on foule aux pieds, qui se revéillent à cinq heures du matin, quand la cité brosse ses dents, aiguise son appétit et, devant un miroir inexorable, réfuse de rappeler qui tous nous sommes envie d’exister à un prix haut…
L’origine de l’exclusion et le manque d’accès à l’art par tous les hommes [cette matière de statistiques], la mesure d’une certaine conséquence [cette analyse (in)cohérente qui proposent les “spécialistes”] — oh! la machine du monde comment elle a écrit par le poète Carlos Drummond [la fleur du poème en prose doloureuse d’un monde brisé]… Oui, je suis trop fatigué de voir moins de ce que je ressens sur le monde et la dureté d’une vie quotidienne au tic tac qui nous comprime l’ésperance pour une éxistence sans ces bruits funèbres, ou cette vérité ténèbre lorsque je pense à ceux qui vont partir sans l’énormité à travers de cette forêt obscure... mais éclatante ce que d’une art en pulsant et touchant les veins du corps…
Si j’eusse écouté le gémissement de ceux qui chantent [déguenillés, misérables, perdus, incompris pour toujours] nuit après nuit sous ma fenêtre crasseuse — avec ses verres impénétrables... Si je fisse plus attention à tous les cris et chuchotements, mais pas ceux qu’ont filmés par Ingmar Bergman, mais pas ceux qui sont remplis des banquets dans les chambres froides respectives… Je parle du cri des innocents, de ceux qui n’ont pas commis aucune atrocité mais qui souffrent les conséquences de ces crimes commis contre eux jour après jour... Je parle du sentiment d’échec et désespoir qui je sens quand je pénètre l’univers de Raskolnikof, ce monde clos à égalité et à justice…
C’est pourquoi mes mots sont fausses dans les yeux de ceux qui n’en sentent pas la douleur de vivre sans avoir jamais vécu! Mes mots sont toujours gauches et incommunicables. Elles restent tourmentés… mais dediées à voir que, derrière l’art des grands ou des petits, il y a les grandes demeures sans language, en effet sans voix, mais en pulsant la vie… en vivant cette vie… Comme Raskolnikof, j’aime une pauvre fille des rues… Pourtant, au milieu de digressions sans excuses [mon zig zag] et à travers d’une sentiment gauche, moi, je parle, Corinne… Si ma language, si mon français est permet de se laisser par les mots et les images, je viens de songer et de parler, ma chérie. C’est ma passion, ma vie — mes fictionismes sont tous pour comprendre qu’il y a toujours quelque chose d’absent et d’étranger qui je dois dire…
Merci beaucoup pour tes douces mots, pour tes compliments — sempre, sempre…

Wednesday, April 13, 2011

you put a spell on... your crude reality?


indisposto o sonho
de um fazer metáfora
em noção intensa
com palavras-toque
de um gauchismo lúcido
desmedido o quarto
a cidade-lama
meu coelho pouco





amanhecidos em carne estéril que não basta ao silêncio de uma vida em antessala inócua, antecipados os meus pés estão dando na esquina daquela avenida cinza que vejo agora, do alto de um prédio em cor-desmaio, íngreme chão de dias todos em que desço os quatorze andares num elevador espremendo os meus quase fracassos, que nada morte, mas pois vivência amargando anunciada num desviver qualquer, comum à quase totalidade nós-menos, pés descalços de vontade e muito em desmedidas sombras refazendo em soluço torto, naquele mesmo todo-dia asfalto-náusea, cruzando a cidade, sonhos por vir, mas que ficarão no começo de um descaminho, de uma desventura que hoje e quase sempre estremece o chão desse meu mesmo apartamento alto, rebaixado em teto despencando as torpezas várias de um taque em tique descabido, pondo desmesura cínica e indigesta num tão-só ciclo de tum-tum que insano, e que começa prosseguindo sempre com um café amargo, metade de uns pois farelos em papel pardo, dignificado, miúdos restos trazidos de antro sujo e copiosos marcos, como a gente vê espalhados pela cidade mórbida, com seus becos e esquinas desfeitos em cheiros e ralos, tudo isso é o que antecipam os pés que não pisaram, mas em alguns instantes eles, sim, aquele chão de dias todos em que desço atordoada, às vezes sem nenhuma arte, aqueles mesmos andares em quatro ou quatorze, pouco importa, mas que cheios de uns quatrocentos andares, de afazeres por começando a me terceirizar mulher de uma só palavra, que também em gestos ínfimos de acenar inúmeras possibilidades de dar giro em vida besta, ausente de um viver mais qualquer coisa porque gotejando aquilo que nos residua a todos, a mesma medida de um consentimento-vácuo, de uma solenidade-ausência, de uma inação-inglória, mas que hoje, ao acordar às cinco matinais e olhar da janela encardida de vontade e desejos irrealizáveis, eu, agora-hoje em silêncio imposto, ou desejado, ou intensificado por palavras-ordem, eis que vejo amanhecendo todos os meus sonhos despedaçados, insatisfazendo uma querência sem ter com o que realizar em gesto ou espreitar em imagem, que pois teria que ser alguma coisa de um insano rasgo, sobretudo chance de uma não-sequência, de uma não-linearidade, esta que não há pra nós todos em quase muito tudo, e que nos destempera a vida, o limite de um sabor ligeiro, mas consistente, de existir sem mágoa...

dedicado a umas tantas personas in (to) (and out of) a nossa terra brasilis que fazem deste mundo um lugar menos áspero pra se algum algo a mais, de menos que crueza e com palavreio nosso de uma tão palavra-encanto em gesto de desabrochando flor onde sempre muito náusea: Tatiana Carlotti Balzaquiando Sempre a Sua Deliciura-Atalho, Isabela Escher de Versos Que Muito-Intensos, Maria Cláudia Que F(r)icções-Além-Tudo, Germano Meu Equadoriando Sempre, Pedro que Structurally Diffuse em Meu Sonho, Minha Eterna Doçura em Margo, Aquela Mais Linda Que Cabíria-Ana, Corinne Que Numa(s) Tanta(s) Infinita(s) Encantáveis Palavras, Cecílio Sempre Daquelas Lindas Imaginaturas, Jamile Gosto da Minha Imaginessência, Carolina Ternura-Caetano e de Falar Imenso, Aliteração Que Linda Mais Que Ela Não Nunca, Francesca Imaginatura de Uma Lindeza-Sempre, M. José Eu Não Tendo Nem Como Expressar Sensível Tanto-Mais-Ela, Adriana Lá Longe Karnal Mas Num Perto-Palavra Que Me Aguça Prum Olhar-Tudo, Isabelle Bonzom-Arte Que Eu Aprecio Inteira, Marcio Rufino Me Chegando Agora e Desconstruindo Tudo, Sinei Amigo e Amor de Tanto-Mais-Sempre, Miki  Turner de Imagens-Tudo, Renata Intensa e Gross de Trabalho-Encanto, Maria Es Que Aquela Artista Mais Violência-Leveza Dizendo Imagem-Tudo, Setty Sempre-Lepida de Versos Insanamente Mágicos, Calboli Dischi de Sonoridade-Vista-Além, Jonatas Moço Müller de Sensibilidade Preci(o)sa-Iluminura, Maryllu Eternidade de Dizeres-(Trans)Lúcidos, Maria (Un)Censored de Tom-Beleza Rara, Alzira Espíndola de Voz Maiordetodas, Clarah Averbuck Que Eu Vontadeando Atriz-Personagem de Cicatriz Sem Roupa e Zoe McSonho do Meu Silêncio Palavra-Voz Mais Alta.