Sunday, May 15, 2016

shabby-looking bonds

em suas coisas que desviajam


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    o tempo hoje, desde ontem,
    me acordou sem zelo
    confundindo-se? insensível
    virando a esperança bem ponta-à-cabeça:

    “não dê corda a desejo, coisa vã,
    partituras de viagens — bagatelas! — só te sonham,
    você estranha, estrangeira, mundo de medos, visíveis
    limites, suas-muitas tolices, prioridades? — esqueça(-)se...”

    então foi que acordei hoje fragilíssima, recrudescendo
    uma noite, a de ontem, toda ela incompreensão
    e eu só zelando pelo desejo, era só isso, 
    de pessoinha-assim-de-província, diriam
    desejo bobo, que tenho há tempos:

    só me via indo ver... e tocando... descobrindo...
    proseando... em viagens — como se partituras,
    rua abaixo, rua acima, lua... vontade-nota de estar com —
    “ah, eu me estaria de nova york ou marrakech
    pelo mesmo rodopio — famigeradas, eu faminta

    mas, de repente, ontem, pesou na mala 
    um coração que já viu tanto e, fim das contas, em raso viu

     não revidei, contenda nem foi
     só entristeci

     “como é que alguém desentende a simplicidade
     da gente assim? e desmerece a melhor faísca
     fagulha mais pura.... de encantamento pelo transpassar? 
     mundo, mundo, os nossos tão diferentes mundos... 

    nos despedimos aqui
    sem mais miragens 
    nem devaneios

    tudo okay, vou ao cinema, brasileiro mesmo
    nunca entendi de red carpets, nem-nunca quis, 
    prefiro assim 

    não sinto sentido no sentir
    sem a ranhura do simples 

    tudo certo, não me espere
    não me importo
    fico para trás.


    Imagem: Part Blake, part Tolkien, all England... Landscape of the Vernal Equinox, 1943, Paul Nash
    Música: Cristo redentor, Donald Byrd 


3 comments:

aliterações ressoam said...

"deliciúra", como diz você
que lindo que você está de volta
lindo poema, palavras que ardem
linda você
que já é, sozinha, obra de arte
arte em obra
dobras, redobras
em arte
que arde
e reluz

quero te encontrar de novo
em palavras, sonoridades
vamos, vamos?

que seja aqui em são paulo
ou vou até sua morada
guardo um livro pra te mostrar
viajemos nele, brindemos
e mais!

Carol P. said...

Ô-querida,

Lindas palavras -- as de você! Sabe quando a gente fica vontadeando lua só pra temperar o silêncio com até-miragens? Me desarticularam -- as palavras, estas-aqui, suas. De um jeito bem bonito. Obrigada. É uma honra e uma mais-alegria te saber leitora (de novo, de volta, de sempre) destes meus rabiscos, traquinas, melindas, orquídeas. E, sim, gosto de imaginar que será -- este nosso reencontrar. Vou pensar nuns quandos. Faz o mesmo. Pensemos. Sua vinda-cá me trouxe um zelo... bem florido. Gratidão e um beijo de... bastantes sonoridades. Te poetando de volta o acarinhar. E também, tão bem: mais.

aliterações ressoam said...

Já vou, então, pensar nos dias, certeza, os possíveis, que bom que vamos, que bom, obrigada, que sim. Ler aqui, de você, ler você é sempre uma delícia, Carol. E não esquece: quero te contar do livro guardado, só seu, aqui comigo, preciso te entregar. Conversemos sobre a sua escrita também, por favor. Você fala de zelo, em versos, fica bonito. Só saiba que ele, zelo, te merece no maior de todos os universos, e que você nunca deixe de escrever assim. Faz bem, enternece. Estremece. Boa semana, que seja toda de tessituras! Continuemos, um beijo, te cuida.