Saturday, September 14, 2013

O Equador das Coisas #3

jornal de literatura e arte
número 3 | issue 3 | mai 2013



Com alegria, mesmo euforia em bastantes de vez esta, e por todo-um-sempre, redigo aqui o que disse logo-ali, no editorial deste que é um presente pra gente, e não da gente pra, porque o Equador das Coisas 3, sim e sim, abre-se todo em deliciúras pra nós todos... assim. E foi-sendo então que... 
Um dos fascinantes – e famigerados – passos-traçados que nos oferta a literatura de um escritor enorme como Ernesto Sábato é sua linda, deliciosa inquietude-boa – diríamos, enfim, preocu­pação – com a leitura. Do lado de cá e de lá (porque em Sábato há entrelaçares, e não dicotomias de excepcionices tolas), o leitor são mulheres e homens concretos em busca de um-algum senti­do para uma tão atarantada existência, bem sabemos, e também aqueles todos-nós (anti-)heróis do dia a dia – em nossa peque­nez, contida ou esparramada vastidão, celeuma, destreza pouca ou nenhuma para enfrentar o que quer que.
De então que esse leitor, “que lleva las insignias de sus tribula­ciones y amarguras” e tantos-bocados de crueza e alegria, esse leitor transita entre o possível e o indissociável (em)texto(s), diante dos ali (inter)(con)textos, e eis que a ideia de obra aber­ta, retomada por Umberto Eco, transfigura com sensibilidade a perspectiva plural e polissêmica dela, da leitura – esta que nos faz, em inúmeros de nós, rearticular, enternecer, querer, ou pelo menos desorientar-desconjuntando quadriculadinhos quais­quer... Não? Pois-sim, sim...
A leitura tem, por enfins, uma função (onto-)gnosiológica em Sá­bato. O que equivale a cismar, dentre outros muitos interstícios possíveis, que ela é energia a pôr giro-movimento em mãos e olhos decerto maquinais (tempos nossos!), mas que inicialmente mãos e olhos e todo um resto de sentido possível em nós – lem­bremos. Para além de processo semiótico, a leitura é um acu­mulado de ir e vir e não poder ir – sociais. Está entranhada, neste portanto, de formas de pedir, dizer e silenciar, dali pr’acolá – se fazendo e desfazendo e refazendo... através do(s) sentido(s) pos­to(s) à pele... no outro... nela, neles para deles mesmos, em nós.
O Equador das Coisas se inaugura segundo ano redizendo dela, da leitura. Da beleza e da refulgência e dos embates-conflitos também por certo imbricados para todos os cantos possíveis – quando lemos. Os entraves em que se esbarra hoje em vazios “nos (in)corpora(tiva)ndo” como os nossos (infelizmente ainda!), para que o acesso à leitura seja, de fato, enorme e pleonasticamente irrestrito (por que não?), são lamentosos, claro. Há as antas podero­sas, sempre há, que temem os buracos de fechadura se tornando gigantescos moinhos de vento e então convidando para o con­fronto; sem falar nas titicazinhas e nos papagaios que, com os seus faustosos “com o quê”, se fazem isso-que-por-certo-pouquís­simo... tais escritores-artistas. Pelo não e pelo sim, ora-ora... Que a leitura, que a arte, que a literatura-enfim – é o nosso desejo-cá – seja energia-orgânica a construir e desconstruir, ampliar, gerar, titilar, abrindo, sempre abrindo... caminho para tão-tanto mais.
Que mais (pleonásticos) sem-fins de miríades-gentes alcancem a leitura, a literatura, a arte. E se engalfinhem com elas. E se lam­buzem delas, se repimpem. Boa comilança a todos, e sigamos!
(E feliz e bonita e sempre-leitura pra nós, Equadores! Tim-tim!)