Wednesday, April 13, 2011

you put a spell on... your crude reality?


indisposto o sonho
de um fazer metáfora
em noção intensa
com palavras-toque
de um gauchismo lúcido
desmedido o quarto
a cidade-lama
meu coelho pouco





amanhecidos em carne estéril que não basta ao silêncio de uma vida em antessala inócua, antecipados os meus pés estão dando na esquina daquela avenida cinza que vejo agora, do alto de um prédio em cor-desmaio, íngreme chão de dias todos em que desço os quatorze andares num elevador espremendo os meus quase fracassos, que nada morte, mas pois vivência amargando anunciada num desviver qualquer, comum à quase totalidade nós-menos, pés descalços de vontade e muito em desmedidas sombras refazendo em soluço torto, naquele mesmo todo-dia asfalto-náusea, cruzando a cidade, sonhos por vir, mas que ficarão no começo de um descaminho, de uma desventura que hoje e quase sempre estremece o chão desse meu mesmo apartamento alto, rebaixado em teto despencando as torpezas várias de um taque em tique descabido, pondo desmesura cínica e indigesta num tão-só ciclo de tum-tum que insano, e que começa prosseguindo sempre com um café amargo, metade de uns pois farelos em papel pardo, dignificado, miúdos restos trazidos de antro sujo e copiosos marcos, como a gente vê espalhados pela cidade mórbida, com seus becos e esquinas desfeitos em cheiros e ralos, tudo isso é o que antecipam os pés que não pisaram, mas em alguns instantes eles, sim, aquele chão de dias todos em que desço atordoada, às vezes sem nenhuma arte, aqueles mesmos andares em quatro ou quatorze, pouco importa, mas que cheios de uns quatrocentos andares, de afazeres por começando a me terceirizar mulher de uma só palavra, que também em gestos ínfimos de acenar inúmeras possibilidades de dar giro em vida besta, ausente de um viver mais qualquer coisa porque gotejando aquilo que nos residua a todos, a mesma medida de um consentimento-vácuo, de uma solenidade-ausência, de uma inação-inglória, mas que hoje, ao acordar às cinco matinais e olhar da janela encardida de vontade e desejos irrealizáveis, eu, agora-hoje em silêncio imposto, ou desejado, ou intensificado por palavras-ordem, eis que vejo amanhecendo todos os meus sonhos despedaçados, insatisfazendo uma querência sem ter com o que realizar em gesto ou espreitar em imagem, que pois teria que ser alguma coisa de um insano rasgo, sobretudo chance de uma não-sequência, de uma não-linearidade, esta que não há pra nós todos em quase muito tudo, e que nos destempera a vida, o limite de um sabor ligeiro, mas consistente, de existir sem mágoa...

dedicado a umas tantas personas in (to) (and out of) a nossa terra brasilis que fazem deste mundo um lugar menos áspero pra se algum algo a mais, de menos que crueza e com palavreio nosso de uma tão palavra-encanto em gesto de desabrochando flor onde sempre muito náusea: Tatiana Carlotti Balzaquiando Sempre a Sua Deliciura-Atalho, Isabela Escher de Versos Que Muito-Intensos, Maria Cláudia Que F(r)icções-Além-Tudo, Germano Meu Equadoriando Sempre, Pedro que Structurally Diffuse em Meu Sonho, Minha Eterna Doçura em Margo, Aquela Mais Linda Que Cabíria-Ana, Corinne Que Numa(s) Tanta(s) Infinita(s) Encantáveis Palavras, Cecílio Sempre Daquelas Lindas Imaginaturas, Jamile Gosto da Minha Imaginessência, Carolina Ternura-Caetano e de Falar Imenso, Aliteração Que Linda Mais Que Ela Não Nunca, Francesca Imaginatura de Uma Lindeza-Sempre, M. José Eu Não Tendo Nem Como Expressar Sensível Tanto-Mais-Ela, Adriana Lá Longe Karnal Mas Num Perto-Palavra Que Me Aguça Prum Olhar-Tudo, Isabelle Bonzom-Arte Que Eu Aprecio Inteira, Marcio Rufino Me Chegando Agora e Desconstruindo Tudo, Sinei Amigo e Amor de Tanto-Mais-Sempre, Miki  Turner de Imagens-Tudo, Renata Intensa e Gross de Trabalho-Encanto, Maria Es Que Aquela Artista Mais Violência-Leveza Dizendo Imagem-Tudo, Setty Sempre-Lepida de Versos Insanamente Mágicos, Calboli Dischi de Sonoridade-Vista-Além, Jonatas Moço Müller de Sensibilidade Preci(o)sa-Iluminura, Maryllu Eternidade de Dizeres-(Trans)Lúcidos, Maria (Un)Censored de Tom-Beleza Rara, Alzira Espíndola de Voz Maiordetodas, Clarah Averbuck Que Eu Vontadeando Atriz-Personagem de Cicatriz Sem Roupa e Zoe McSonho do Meu Silêncio Palavra-Voz Mais Alta.   


1 comment:

maryllu said...

Fiquei com vontade de tomar café pela madrugada, ficcionando, e adiar o sono, mais um pouquinho. Depois, ter olheiras horríveis, usar óculos de aros mais grossos pra disfarçar. Me equilibra um calmante, um excitante e um copo de gim. Ficcionar até, enfim, conseguir esse sonho de ser outra. Mais certa. Mais alta!

Vi o "Nina". As imagens são lindas e as falas da Nina me pareceram tontas como tantas... Um tipo... A velha é incrível. E a cidade está demais... Todo esse lixo pode mesmo parecer ainda assim bonito... Putas na calçada... Se eu fosse inocente o suficiente faria vontade aos viciados que me pedissem o esguicho do cloretilo na boca! Na boca!