Wednesday, March 9, 2011

pedro e jamile, nossos cá (se) inaugurando palavra-gosto, imagem-som

A gente, quando conhece umas figuras assim que muito além do rés-do-chão, tem mesmo que dizer, ainda que em escrito de refeituras – sempre. E também de agradecimento por. Alternados passos, um e depois um outro, andando. Sem processos automáticos. Só sibilantes. Em concretude absurda. Mas também em silêncio ventando na gente um além-tudo. Ou de uma absurdidade tremenda gestos-flor, que disfarçam a dor, dão volta em náusea nossa, essa do dia-após. Comigo sempre assim. Isso de ir ter sempre com essas figuras. E então agora cá no blogue vêm ter com a gente eles dois, ela e ele, sem claro que naquele tic-tac da obrigação, ou da pontualidade, mas no da gostosura mesmo.
Fato primeiro do Pedro, que conheci Structurally Diffuse. Difícil escolher palavreado pra dizer assim tão-só que ele uma das melhores – palavras que eu nos últimos tempos. Literatura, e no de fato. Que eu ousaria chamar “cáustica”. Pois que queima. Num giro mordaz em busca de uma linguagem que, em ímpeto, em incessantes idas, imagética, refaz quase sempre em passos desvairados um caminho de volta pra casa. A literatura do Pedro cauteriza, inflama. Mas não ao ponto de tolher olhar nosso, sentimento nosso, que esse de, mesmo em ziguezague, mesmo em poço-e-pêndulo, ainda que hesitação doída nossa, de nós todos em bifurcações-destino, mesmo assim as palavras dele nunca deixam de ser gesto de sentido, de recobrar sentido pra um olhar em flor. E eu recobro sempre, Pedro, quando te leio, e te venho lendo desvairadamente, intensamente,  madrugada minha sempre adentro, enfim que te recobro sempre na imagem do poema drumondiando náusea e também flor. Que nasce ali mesmo, nesse mesmo asfalto áspero, cinza e concreto que residua a gente, mas que também faz nascer, numa palavra-imagem, como a sua mesmo, uma palavra-sentido – capaz de se desfazer inteira pra num imediato se reconstruir gesto maior de amor. Este – de um insaciável ímpeto de se revirar pra se descobrir sem macular a dor.
Pois que então da Jamile. Deliciosa. É o que me autoriza a dizer dela assim, mais na abertura da significância que a gente às vezes esquece que as palavras têm. Deliciosa e uma delícia. O que também vou contando porque é o que ela vem fazer aqui pra gente, e com a gente, e na gente. Mas pode isso de alguém fazer delícia em outro quem? Pois se não assim mesmo que o primeiro toc-toc-toc dela – deliciando uma vontade de eu abrir a porta pra delícia pedindo entrância-cá dela? E eu disse assim: nossa quanta altura a minha, claro, entra cá, que delícia que não vai ser isso, minha nossa! E vem mesmo. A Jamile com suas palavras-gosto. Das Gerais, sim, ela. Como eu aqui mesmo nas nossas. Então se não é tempo de apresentar de vez ela? Que mais que fazendo a gente pensar em deliciosas e delícias, ela faz é emendar uma outra conotação que eu disse pra Tati (Carlotti) dos textos dela uma vez, e que agora, no caso-então, eu ressoo muito satisfeita: uma deliciura! É o que. Jamile. E o que as pontas dos dedos-Jamile vêm fazer cá conosco. A propositura então eu a explico. Mas antes pergunto assim: culinária combina com ficcionismo? Foi o que a gente pensou junta e o que também a gente decidiu junta que sim, claro que. E é o que a moça-Jamile vem fazer pra gente daqui em diante. Vamos misturando o sabor das palavras fluxoconscientizando com as significâncias das delícias que inventadas por ela, sempre nessa de a gente pensar aqui de agora que a Jamile vem falar do gosto. E tudo o mais que ele nos alucina. Então que ela inaugura uma nova parada no blogue. Pensamos assim-começo: What’s really worth eating. Pode ser, e vai sendo também. Mas eu penso que tanto mais assim pra gente emendar e reme(n)dar: Escrevância ponta-dos-dedos – da Jamile. Acho que vai cabendo, não? Entra cá também, Jamile, casa sua, casa sempre nossa. Traz pra nós as suas complicaduras daí, a gente proseia as nossas acolá, junta literatura e gastronomia, ficciona os pratos, se delicia com os enredos e, nas contas todas do fim ou do meio, se repimpa com o de sabor das palavras e com o de beber dos olhos nossos – ficaremos todos muito satisfeitos e em querência e em vontade de ler que você pra nós, isso sei que...
Seguem agora dois textos que cismei fazer cá pra apresentar melhor pra todos nós o que já fiquei na compreensão dos dois, Pedro e Jamile. Dois ficcionismos, claro. Meus que então pra eles, no cada qual. E em que procuro um tom pra falar assim mais próximo do que penso quando penso neles, Pedro e Jamile... São os dois inaugurais – os textos. A partir de agora, palavra toda deles. Não me atrevo, nunca me atrevi em excessivo ensinar quando o que vou é aprender... E ambos os nossos queridos já cá vêm fazer, generosamente, isso com a gente... Bem-vindos, casa nossa de nós todos esta, tá?

3 comments:

CAROLINA CAETANO said...

"– Eu sei, menino, e é então parecendo cinza quando o seu olho ganha mais intensidade de uma cor azulada que põe desvario na gente..."

Ainda presa no dia desde que li.

Jamile said...

Carol, querida.
A gente quer saber é sabor, provança boa. Mexer tudo para que se empreguine de sabor.
Ferver rápido, depois baixar o fogo, melhor alegre, porque ainda que se destrua alguma, não tem problema.
E repousar, para que se espesse um pouco, o caldo, nada mais.

Só na imaginatura boa do quê cozinhei hoje pro almoço.
Um sorriso e merci! (je suis en train de partir... Para o futuro, nosso.)
Muxu!

Larissa said...

Bem vindos ao blog da Carol, Pedro e Jamile, o que significa 'bem vindos à minha vida'. Certeza tenho de que, sendo (a)provados pela Carol, também o serão por mim. Deliciuras suas lerei sempre com prazer.
E vc, minha linda Carol, parabéns pela bela apresentação dos nossos novos cá. Palavras suas sempre envolventes.

Beijos