Sunday, March 20, 2011

na mesa o livro... um sopro que pede recanto ali, no espaço da Isabela (poeta de versos silenciando e entranhando a gente)

A gente foi ficando assim, intimamente uma nas palavras da outra. Coisa muito curiosa e uma delícia isso de a gente palavrar. Eis que pondo humanidade-tino pro que há de melhor na gente. Pois então que fomos nessa toada de assiduidades lendo e embirrando, silenciosas, pra que uma escrevesse mais pra outra ler, sabem? Tomando gosto-além pelo palavreio uma da outra – é assim que penso. Uma assiduidade mesmo, mas em nenhum lapso, nem se a gente mesma quisesse que seria coisa de tick-tack torment porventura que, de insistente, martelo-coisa, tivesse conseguido entranhar o coração e se fazendo assiduidade. Não antes... foi por conta, a assiduidade, no caso de minha parte é o que eu dizia, de eu perceber sempre ali, numa mesa que oferece pra gente livro, e versos que capturam pra-além, e sonhos por desvendar, e miragens por desfazer, e lindezas por nausear em seguida muito-flor, foi então por conta disso mesmo: de uma vontade que agora me encontra vontadeando sempre de ir ter sempre com ela, com as palavras dela. Virou toada – isso, essa assiduidade que agora uma deliciura mesmo. A gente, pois que eu dizia muito, entranhavelmente nas dissonâncias uma da outra... É esse o caso...
Eu sempre cambaleante, em zigues que me desavisam de outro-um ficcionismo com que num lançamento mundo-rua. E cismando isso de fluxoconscientizar, que é pra ver se esqueço (ou se potencializo) alguma coisa dentro que intrigando vontade inexplicável às vezes de vomitar os meus coelhinhos. Ela, incrivelmente dialogando com uma infinitude de palavras, pondo torcedura nelas, e ela mesma gauche – claro, porque assim sempre tem mais graça a gente ser com as palavras –, ela então ali, naquele reino surdo que o Drummond mandava a gente penetrar transfigurando que espadas, que cassandras. Pois receitas dizendo que “até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha”... E ela ali, ah Isabela!, não precisa mesmo fazer lista de boas intenções, mas ó que te digo que não sei ainda te dizer se planta recebe mensagem, ou se passa telegramas... Vou pensando que os dois! O que sei mesmo é que estes versos de você vão titilar sempre... Eles só, não. Os outros todos que eu até e ainda por...
Me apraz muito pois que uma deliciura mesmo os versos e a prosa dessa moça, da Isabela. Que se anuncia Escher Rebelo e que se falando poeta desde dois mil e triplicada alguma coisa. Mas isso é informatura que eu logo desdigo, tomo a liberdade, posso? Confabulo cá, e então ficciono realidade pura, que poeta desde sempre. Já pensaram?, eu já... ela ali, meninota, dizendo assim: “uma alforria! Floreios de ouro, cantos de prata, aos ouvidos dos que de cobre são feitos”.
Sabe-se lá quem que entenderia a insanidade de um poeta. E de uma poeta que sabe que complicado, pra gente não dizer mesmo triste, né?, que isso de fazer poesia e ter que competir, sempre no silêncio da boa versação, com aqueles que, minha nossa, dizem lá as suas besteiras mas têm sempre com o quê. Uma complicacência, isso sim!
“A poeta está muito alegre” – pelo menos até essa hora-relógio sob cujos desmandamentos agora escrevo, eis o que vocês vão encontrar de início-texto no espaço lá da Isabela. Mas então é só correr os sentidos, deslizar o paladar, descer a página, entrar noutros caminhos que por lá... Digo também assim, porque é preciso, e vai sendo aqui o meu por-fim-começo-de-prosa: percam-se menos pelas minhas desconjunturas cá e sigam zás pra ler os que dessa moça. Que de “ilustre desconhecida”, como é de muitos cogitarem por senão, eu redizendo o dito digo tão-só assim, e mais em bastantes disso:
Ilustre poeta, te dedico cá estas minhas de hoje palavras-tortuosidades, como as de sempre. Mas, ainda sendo descabidas, que elas tenham a leveza pra encontrar altura de versos seus um dia. E fazer jus a eles, ao merecimento de eu leitora deles. Desconfio que não. E vou desconfiar num de pra sempre mesmo. E assim mesmo, ou tanto mais, não vou cessar nunca de lê-los. Concordo contigo quando isso de que “pobre cultura, a ditadura – no dito do Itamar [Assumpção] – pulou fora da política e foi grudar bem na cultura”... E talvez mesmo, Isabela. Você está pra bem certa ao dizer que tanto bate até que fura, ou que difícil a gente saber dos superficiais e emburrecedores e tendo que engolir que eles que sim; os com excalibur que mais no escasseado, quando muito. Mas aí, quando a gente depara com palavras assim como as suas, as da Tati (Carlotti), do Germano, da Maria ((Un)Censored), da Maria (Cláudia), da Maryllu, da Salomandra, do Pedro (Structurally), da Setty, da Margo, da minha xará Carol (Caetano), também as imagens do Cecílio e da Renata Gross, e de tantos outros versos e prosas e imaginaturas e sons que a gente lê-vê-ouve-sente dando gosto, e que não ponho todos aqui, mas em próximos com certeza, porque mesmo isso do tic-tac espaço, então, Isabela, ilustre poeta, a gente ressoa, e de novo, o dito do Bernard Shaw, lembra? O de que arte sim, existe cá, e a gente tem de fato que com ela. Porque, sem ela, seja em verso-prosa, em imaginatura, em acionando personagens-atrizes ou sons-só, que seja o que, sem ela, minha querida, a crueza da realidade tornaria o mundo insuportável...
Que a Musa com quem você me diz dialogar sempre esteja, enfim, sempre no de acompanhamento pra que versos sempre mais vindos de você.
E deixem vocês de não-pressa. Sigam zás! Eu não ressoo bobagens estas nunca de apaniguamentos e -entos e mais -entos (enjoamentos). O caminho pros versos da Isabela, eles vão deixar quem se atreva ter com eles sair mais de lá, não... Uma deliciura! – as palavras dela. E está na mesa o livro, ou seria o contrário?

5 comments:

Isabela Escher Rebelo said...

Carol, minha amiga,
que belíssima prosa poética você fez! Direi sem risco de hipérbole, usando uma imagem de uma outra poeta (Florbela Espanca), que chorei lágrimas caindo dentro da minha alma... Mas a diferença entre esta situação e a que Florbela cantava é que as minhas lágrimas calmas e invisíveis eram de felicidade...
Sim, felicidade, pois o que mais poderia sentir ao ser associada a Drummond, uma de minhas principais influências, que eu leio desde os dez anos, e que cada vez vou entendendo e adorando mais? O que mais poderia sentir, linda, ao ler que te encantei tanto, mas tanto, que sua assiduidade ao meu espaço é fruto disso? E isso sem contar algo lindíssimo: as referências muito bem tecidas e sutis sobre versos e prosas meus...
Carol, te reafirmo aqui a promessa: também introduzirei as suas melindices aos meus visitantes. Não sei quando, pois o vórtice do cotidiano mais uma vez me suga pro seu interior, mas certamente o farei, e igualmente honrada...
Antes de ir, não posso deixar de dizer: vamos brincar de nos aperfeiçoar. E de uma ir alcançando a beleza da outra e ultrapassando infinitamente...
Continuemos a tecer nossas teias de palavras, querida...

julien hakym said...

hv a nice day my friend!
btw I loves your comment, it just give me strong support & really appreciate it much! tq tq tq! :-)

Dayanna - "A" Borboletinha said...

Visite mu blog:
http://dayannaborboletando.blogspot.com/

Anonymous said...

É de choro seco e felicidade a linda prosa das duas.

Gavine Rubro said...

Olá,

Não conhecia o blog e achei bastante interessante o que aqui é dito.

Voltarei futuramente, com agrado.

Obrigado por me seguir no meu cantinho,

abraço,

G.
(agora estou aqui: www.celularubra.blogspot.com)