Tuesday, March 8, 2011

desmedido chão além de um meu passo dentro

é como se houvesse um peso, que me subtraísse. ou que me revirasse uma grandeza pra qual não me comporto ou não alcanço justeza. há uma projeção dele logo ali, do peso, em concretude, desvairando indisposição de sentidos, confusão de palavras e gestos e abrasando um movimento desmedido-pêndulo. um tropeço em veracidade-ausência, que não cessa. detrás daquele quarto de onde se vê o vazio dos meus sonhos e a ternura de um abismo. que punge. vem na estreiteza de uma saída sem porta. que não se vê aberta a não ser pros incalculáveis que arruínam engarrafamentos e verdades. e que por isso devolvem seu ressentimento-mundo, a sua vingança torpe contra os maltrapilhos-medo.
não é de hoje que me pende a morte. não tomo partido das horas surdas com que ela se aproxima-poço. tampouco me atiro em escuridão de ir-encontro. a silenciosa morte. em cima do piano, aquele copo de veneno. sobre a mesa o comprimido-chave. cianureto. rápido e indolor. não é questão de coragem. nem de covardia. mas de alucinação em passo lento que não se quer findando um silenciar de medos. os meus são muitos. como foram os de ontem. e os do mês passado. aquela mulher que me prendeu em sonho e que hoje me detém o ímpeto de um encontro louco. e doce. num rascunho-dentro que não passado a limpo. nem jogado fora. mantido. e titilando apenas. eu, descabido, anoiteço e me despeço. como me cabe.
saio de casa na madrugada porque é quando não me reconheço na claridade de uma caminhada de espelhamentos pelo centro da cidade. não esbarro melancolias. não freio a vontade de gritar pro vazio da frescura-noite o meu desespero-dentro. é na madrugada que também me alucina o passo alternando a realidade e a ficção dos meus dias todos. que correm. e desmoronam a possibilidade de um regramento-desejo. o meu por aquele objeto, por aquele quarto de dormir ou de escancarar o sexo de uma noite insana, o meu desejo pela coisa-gente e pelas horas, a minha gratidão pela vida entranhada de verdades que só encontro em pesadelo, esse meu desejo não se manifesta senão no relampejo de um desejo insano. de acordar inseto tendo maldito tudo quanto antes me fizera preso. numa gaiola de frivolidades que eu mando às favas nem que em pensamento-coragem. mas que não digo, porque me vem o freio. me põem as amarras pros meus escritos todos. desgostam do modo como eu negligencio os parâmetros. mas eu não cesso. recomeço as coisas todas, em ponteiro de relógio que só para quando se adianta a cama pra um descanso-corpo. e elas, as coisas todas, me chegam com o amanhecer dos passos. e de novo. e sempre.
os mesmos passos. que precisam caminhada frenética pra não perderem o tino de uma condição-homem-dedos. que trabalham. que desmentem. que mascaram o íntimo de um desejo-rua. saio criador então pelas calçadas-asfalto da minha cidade e não vejo a hora de cuspir no olho de um semáforo qualquer. que me apressa a ida, que me atrasa o gosto. de uma contemplação sem jeito, mas muito engrandecida por aquela ali atravessando a rua. em passo lento. corajoso de sair pelas calçadas. lento e leveza. a leveza que não tenho.
deparo, diariamente, com as pessoas-cedo. elas sempre reviram algo em busca de um momento-estranheza, mas concentrado. no produzir matéria e residuar o dentro. é assim o ciclo. que não cessa. também eu não cesso. desvairado, alucinado, perdido, maltrapilho pelas ruas, atiçando a loucura que não me escapa nunca, eis que eu também não cesso. não mudei de casa. não comprei aquela máquina que promete vida, mas enclausura os olhos em caixinha própria. que depois nos oferecem, sem qualquer coerência, sem qualquer cerimônia, pelos lares e por conta de um não-desejo.
dobro agora a esquina dos meus pecados. vejo-os todos. intactos. pro dia em que eu for cometê-los ou desistir dos atos ou me estranhar na certeza de que atos torpes. vejo agora a doçura de uma flauta mágica. não me aborreço com ela. também pareço não me querer perto dela. sigo apenas. e vivo apenas. é assim o meu ciclo. que não cessa. de minutos. de um tempo que me desperta. mas que me prende. ao mesmo tempo ainda me prende. haverá o dia em que eu só afeto?

E a gente vai, claro, no acompanhamento do Pedro por cá também. Vou eu sempre ter com as explosões lindíssimas por lá... agora mais tanto por cá então, lindeza em dobro e prazer duplicando tudo esse também o meu: http://structurallydiffuse.blogspot.com

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