Saturday, February 19, 2011

dialogues sur l’éloquence de la nature humaine – (3) pois que anoiteço enjoo e revigoro flor

Terceiro Ato
Flor que te drummondio náusea, gauche que alimenta amor

Dos crimes todos, cometidos ou ressentidos de inércia
uma flor que adormecida asfalto, que embriagada dança
do movimento de retirá-la caule
da doçura de percebê-la gesto
eis que os olhos sujos no relógio tédio
me indispõem náusea, me residuam nada além de dor

Seguir até o enjoo, Carlos?
beber dele gota suave de veneno sangue?
melancolias e mercadorias também me espreitam
me desaforam, me alucinam e me prendem classe
mas então a flor, como sua mesma
ali cultivada em chão de asfalto dor
Esta a flor que me dispõe palavras-pele
e me desvairando gesto
de escritura torpe
de sentimento vão
é esta a flor que em música cobre
os gestos vãos de um silêncio-flor

Nenhuma carta escrita, nenhum jornal de anúncio
a flor que também dor é então silêncio e vento-cor
é hoje música que além-sonho, que além palavra
que antes música, mas que também antes silêncio-dor
melodia de algum sinal de ímpeto ou de ressentimento-loucura
em palavra sofrida, que não se restringe
a gesto-chão de feiúra ainda em flor
eis que beleza pra mim também combina
com feiúra esta de ir brotando amor

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